11/07/2007

Evento Insustentável em Copacabana: Decepção ambiental no Live Earth

Por Liliana Peixinho*

Lá dentro, champanhe, boa comida e tietagem, com as celebridades. Lá fora, na lama, driblando uma multidão cega aos objetivos teóricos do evento, catadores limpando a sujeira de toneladas e toneladas de lixo, formadas por sacos plásticos logotipados com a marca Live Earth, (Terra Viva), copos e garrafas descartáveis, panfletos informativos e uma gama de resíduos formados pelo consumo insustentável, numa demonstração clara da falta de coerência e sensatez, na prática, de uma proposta, teórica, com abordagem no Aquecimento Global. mudança climática. As areias, o calçadão, a ciclovia e redondezas de Copacabana, no Rio de Janeiro, não estavam preparadas para receber tanta sujeira, num dia só. Ambientalmente o público não se sensibilizou. E quem levou a sério, saiu indignado.

A proposta do ex- vice presidente dos EUA, e ativista verde, Al Gore, que teve apoio da Academia do Oscar no filme “Uma verdade inconveniente” e agora reuniu celebridades como Madonna, Red Hot Chili Peppers, Metálica, Foo Fighters, Rappa, Lenny Kravitz, Xuxa, Jorge Ben Jor entre outros, com apoio de grandes empresas como MSN, Phillips, Smart e Itaú, entre outros, parece ainda não ser positiva no desafio de agregar valor cultural, através de grandes nomes da música, nas sérias questões ambientais, em pauta.

Entrevistas feitas com pessoas que tiveram acesso aos espaços vip da mega estrutura montada em Copacabana, no Rio, e também às que ficaram de fora do espaço de convidados e as que lutavam, corpo a corpo, por centímetros de visão dos artistas, ficaram decepcionadas com o resultado do evento. “Isso aqui é uma palhaçada”, disse um biólogo que estava com sua esposa, saindo do espaço vip, com as camisetas de acesso ao espaço nas mãos para dar aos “meninos” que catavam o lixo, numa demonstração de indignação com o que viram lá dentro.

Não entendi nada!! Se a proposta é a construção de novas práticas para ações sustentáveis, por que contrataram pessoas para distribuir sacos plásticos, incentivaram a venda de produtos em embalagens descartáveis e nem se preocuparam em ocupar os espaços, entre um show e outro, que foram imensos, para divulgar informações que pudessem sensibilizar as cercas de 400 mil pessoas que lá estiveram?

Em Londres, muitas pessoas questionaram se o envolvimento dos artistas tem mesmo um compromisso com o meio ambiente ou se é apenas marketing. A imprensa dos Estados Unidos e da Grâ-Bretanha criticaram as pegadas de carbono de diversos artistas. No News of the World, tablóide de alta venda na Gra-Bretanha, Madonna foi citada como uma “catástrofe da mudança climática”, com pegadas de carbono anuais estimadas em 100 vezes mais do que a média britânica, resultado da ostentação de um modo de vida que inclui nove casas, frota de carros, jato particular e uma montagem insustentável de turnês como a “Confessions”.

Na Alemanha, os propósitos políticos dos shows foram mais sérios, pois direcionaram a pressionar lideranças para a assinatura de um novo tratado até 2009, com redução das emissões de poluição pró-aquecimento global, de 90% nos países ricos, e em mais da metade, no mundo inteiro, até 2050. Esta pressão está em pauta.

No Brasil, em Copacabana, o Live Earth deve ter sido o mais sujo evento de todos os realizados na semana passada, nos diversos países. Os resultados, observados logo após o show, demonstraram público com perfis entre descrentes, alienados, indignados, descuidados, divertidos e os alheios aos apelos da Mãe Terra.

(*) Liliana Peixinho –Jornalista, Coordenadora do Movimento Voluntário AMA - Amigos do Meio Ambiente - Viajou por conta própria para cobrir o evento, no Rio de Janeiro.

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