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A bióloga Rose Dantas, que denunciou desastre ecológico no Rio Potengi tenta proteger-se de perseguição política
Por Liliana Peixinho*
A bióloga Rose Dantas, autora do projeto de tese " Lagoas de Estabilização em Area Estuarina", tem sofrido muita perseguição desde o dia 27 de Julho, quando denunciou à imprensa a mortandade de cerca de 40 toneladas de peixes no Rio Potengi. Com apoio da REBIA- Nacional/ Nordeste e do Movimento Voluntário AMA- Amigos do Meio Ambiente e amigos ativistas a pesquisadora se sentiu fortalecida para continuar o seu compromisso em desenvolver estudos sobre as condições de saneamento e doenças de veiculação hídrica, com qualidade da água e do pescado, isso tem se constituido como um desafio diante do complexo e perverso sistema de coleta e despejo de redíduos no estuário do Rio Potengi, local da morte de milhares de peixes e crustáceos no último dia 27 de Julho. Rose diz que está prejudicada em sua pesquisa, iniciada em março de 2006 e não hesita em dar continuidade para que o seu trabalho seja exemplo em política pública de saneamento.
Agora ela aguarda a análise de laboratório do material que foi coletado logo após o desastre ecológico. São diversas as hipóteses para a causa da mortandade dos peixes. As características do local onde as empresas vem depositando os dejetos coletados em residencias, empresas, instituições e até hospitais, são de extremo descuidado com o ambiente marinho. Ao lado dos tanques de coletas desses resíduos, cuja composição química ainda é desconhecida, existem toneladas de lixo que são depositadas e jogadas ribanceira abaixo, caindo diretamente na área do mangue.
Como o sistema é frágil e as condições históricas de má utilização do local como depósito dos resíduos conta com o aval das autoridades ambientais do Rio Grande do Norte, através da concessão de licença para as empresas que lá despejam os resíduos coletados em toda a cidade, a bióloga Rose Dantas considera que somente com a mobilização das comunidades ribeirinhas, que tem no mangue a fonte de garantia de vida, atráves da mariscagem, pescaria e fixação na área, é que algo poderá ser feito no sentido de resgatar, através de ações de preservação, o valor de um ecossistema tão rico e frágil como é o mangue.
Rose reforça, nesse sentido, o valor da identidade ribeirinha, cujo conhecimento da realidade local, das condições sobre o mar, a diversidade biológica e etnoecologia e etno-botanico, as condições das mares, são conhecimentos que essas populações deté, de forma tradicional e que são preciosos no auxílio dos trabalhos científicos de pesquisadores, como eu. As famílias que moram no local do desastre ecológico, situado entre as comunidades de Guarapes, Água Doce, Barro Branco e Macaiba, estão com sérios problemas de saúde. " Minha mulher teve diárreia, crise de vômitos e desmaios. Perdemos duas galinhas que comeram dos peixes mortos e como estamos sem pescar a cesta básica que recebemos está aliviando um pouco nosso sofrimento, mas a gente sabe que isso é por pouco tempo e precisamos recuperar o mangue para voltar a pescar", diz Zé Pedro, da Comunidade de Guarapes.
"Nós não estamos recebendo cesta básica porque não somos cadastrados e a situação aqui na muito ruim para as crianças", diz Miriam Silva Rodrigues, quatro filhos que mora com a irmã, que também mãe de um filho de colo.
O pescador Luis Gonzaga dos Santos, 49 anos, da comunidade de Macaiba, quer acompanhou a equipe do Ibama que foi até o local do desastre, pediu, emocionado, às autoridades que tomasse providências urgentes para a recuperação da área do mangue para que nunca mais acontecesse um desastre como este. " O mangue é nossa fonte de vida e não podemos aprender a fazer outras coisas de um dia pro outro", reforça ele como pescador de respeito entre os amigos.
Para a bióloga Rose Dantas, que defende que a área seja gerida de forma sustentável e para isso é necessário o embargo da área como receptora desse efluentes. " A população ribeirinha está indignada e vem me implorando para que juntos lutemos pelo fim dos lançamento de dejetos na área" . Para isso ela diz ser necessário a construção de uma Estação de Tratamento e Reuso da Àgua, fora da área do Estuário.
(*) Liliana Peixinho –Jornalista, Coordenadora do Movimento Voluntário AMA - Amigos do Meio Ambiente |