13/10/2007

A ética e o caos

Por Liliana Peixinho*

As relações de trabalho, de amizade, de família, do dia-dia da existência humana estão tão degradadas quanto o meio ambiente. As pessoas estão jogando no lixo, de forma misturada, sem nenhum critério de seleção, valores como respeito, educação, dignidade, coragem, determinação, responsabilidade, seriedade e outros que nos fazem crer numa vida compartilhada, equilibrada, harmoniosa, com sustento.

A mentira e a verdade estão em patamares de banalização tão exacerbados que parece difícil saber em que, ou em quem, acreditar, botar fé. O desestímulo das pessoas para uma vida com sabedoria, paciência, responsabilidade e prazer é tão evidente que as manchetes dos jornais sobre violência é apenas um dos indicadores desse grave e crescente problema social.

Os profissionais ou oportunistas de plantão das áreas ocultas, das "religiões", devem estar ganhando muito dinheiro, ou quebrando a cabeça, para entender a fragilidade de seres humanos que vivem mais como autômatos, com respostas e reações estimuladas pelo aqui e agora, do que como pessoas que têm direito à liberdade, com as devidas contrapartidas de responsabilidade.

Pessoas que ainda desconhecem que direito e dever caminham juntos, condicionados, um ao outro. É assustador quando vemos este caos social com as lentes de aumento do coração e da alma.

Tem gente que até desiste de viver, ou vive sem alegria, ou faz de conta que vive, ou ainda empurra o dia-a-dia como um peso insuportável, provocado pela dor da inverdade. O que estará por trás disso tudo? Temos respostas rápidas como o egoísmo, a falta de ética, o descompromisso, a falta de solidariedade, de informação, de visão, de um futuro promissor, de um mundo melhor e de perspectivas para a construção de uma sociedade realmente participativa, de inclusão.Mas é preciso muito mais que só respostas rápidas, cabe aqui uma revolução de compor tamento.

As crianças ainda estão salvas desse processo, da insensibilidade dos adultos, e devemos conservar a natureza verdadeira dos seus atos para não comprometermos um futuro com mentiras e arranjos superficiais. Além de enganar os outros esse tipo de comportamento tem levado o ser humano a um processo irreversível de perda de valores preciosos, como o respeito ao outro. Fazer parte do jogo sujo de enganar uns aos outros tem levado o ser humano a processos irreversíveis e criminosos. A alimentação da mentira e da construção de uma não realidade ou realidade fantasma, enganadora, descartável, cheia de engodo, tem assustado quem não compactua com isso.

Tenho saudades da tranqüilidade de minha avó, da coragem de minha mãe, da bravura de minha tia, do espírito participativo e comunitário do pessoal do interior, lá de bandas longe da cidade, do povo que vive no escuro, sem luz elétrica, mas com um brilho nos olhos e na alma que só mesmo algumas crianças ainda mantêm vivo, de forma pura. Quem dera houvesse flashes de coragem, determinação, disciplina e amor, indicondicional para reinventarmos a vida com resgate desses valores, impagáveis e imprescindíveis para a construção de uma vida prazerosa, harmoniosa!

*Liliana Peixinho – Jornalista, ambientalista, coordenadora do Movimento AMA – Amigos do Meio Ambiente , Moderadora da REBIA - Nordeste - liliana@amigodomeioambiente.com.br | lilianapeixinho@gmail.com

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